Muitos pensam que meditar se resume em sentar com as pernas cruzadas, colocar as mãos em mudras sobre os joelhos, fechar os olhos e não pensar em nada, porém, meditar é um fator que vai muito além de determinadas posições e simplesmente não pensar em nada. Como nos ensina o exercício de conscientização na vida diária, meditar é um estado de concentração e posteriormente, expansão da percepção. Um estado de intensa e abrangente contemplação.

Um dos maiores benefícios que a meditação pode proporcionar é a capacidade de manter-se presente nas atitudes, de ser o agente das suas escolhas e não se deixar levar pelo automatismo. Colocar a mente no presente, manter-se perceptível às sensações e atento a todos os acontecimentos de forma calma e equilibrada, diminuindo os “instintos de reações primitivas”. Tratam-se de mudanças profundas na forma de agir e de pensar, que vão muito além de apenas seguir um ritual diário de práticas que inicialmente parecem não apresentar um resultado mensurável. Há alguns anos atrás, pouco se sabia sobre como a continuidade de uma reflexão silenciosa poderia levar a  uma intrigante variedade de efeitos físicos e mentais. Atualmente, através dos inúmeros estudos científicos realizados, com mapeamento do cérebro e suas mudanças mediantes essas atividades, pôde-se observar que essas antigas práticas podem mudar profundamente e permanentemente a maneira como diferentes regiões do cérebro se comunicam entre si.

Os vários resultados de ressonância magnética mostram que, após um período de oito semanas de prática de meditação, o centro de “luta ou fuga” do cérebro, a chamada amígdala, parece encolher. Essa região primitiva do cérebro está associada ao medo e à emoção. É ela que está diretamente ligada ao início da resposta do corpo em uma situação de estresse. Conforme a amígdala encolhe, o córtex pré-frontal – associado à funções cerebrais de ordem superior, como consciência, concentração e tomada de decisão – torna-se mais espesso.

A “conectividade funcional” entre essas regiões – ou seja, com que frequência elas são ativadas em conjunto – também muda. A conexão entre a amígdala e o resto do cérebro fica mais fraca, enquanto as conexões entre áreas associadas à atenção e concentração ficam mais fortes.
A escala dessas mudanças se correlaciona com o número de horas de prática de meditação que uma pessoa fez, diz Adrienne Taren – pesquisadora que estuda a mindfulness (meditação de atenção plena) na Universidade de Pittsburgh.
“A imagem que temos é que a prática de atenção plena aumenta a capacidade de recrutar regiões do córtex pré-frontal de ordem superior, a fim de reduzir a atividade cerebral de baixa ordem”, diz a pesquisadora.
Em outras palavras, nossas respostas mais primitivas ao estresse demonstram ser substituídas por respostas mais pensativas, ou seja, mais coerentes e menos instintivas.

Uma abordagem de meditação mais tradicional nem sempre é a melhor opção para todas as pessoas, alguns podem sentir certa dificuldade em realizar essas práticas mais convencionais, pelo menos inicialmente. É nesse contexto que uma abordagem menos convencional pode ajudar a manter-se presente e plenamente participativo em sua vida. É o que é chamado de prática de conscientização na vida diária. Nessa atividade, você pode escolher qualquer tarefa ou momento para praticar a atenção informal, tais como comer, tomar banho, caminhar ou brincar com uma criança ou um neto. Abaixo estão alguns pontos que o auxiliará nessa atividade:

Prática de Conscientização na Vida Diária

  1. Comece trazendo sua atenção para as sensações em seu corpo;
  2. Inspire pelo nariz, permitindo que o ar preencha seus pulmões completamente. Deixe seu abdômen expandir profundamente. Então, expire vagarosamente pela boca, encolhendo o abdômen. Este padrão pode diminuir seus batimentos cardíacos e diminuir sua pressão arterial, auxiliando a relaxar. Observe as sensações de cada inspiração e expiração.
  3. Proceda com essas ações de forma lenta e com um estado pleno;
  4. Esteja plenamente envolvido com seus sentidos. Observe cada visão, cada toque e os sons, para que você experimente todas as sensações;
  5. Quando você perceber que sua mente vagou por todas essas tarefas em questão, leve sua atenção às sensações do momento que estiver vivendo.

Aqueles que acompanham os artigos aqui do blog já sabem que exponho bastante os temas da meditação e seus benefícios para a nossa saúde física, mental, emocional e consequentemente espiritual. Optemo-nos por atividades que vão nos proporcionar bem estar, equilíbrio e mais positividade; este deve ser o nosso foco. Manter em nosso dia a dia atitudes que nos elevam o padrão de pensamentos, que nos proporcionem escolhas e reações conscientes, que contribuam para o nosso desenvolvimento moral, intelectual e espiritual.

Eu, você, todos nós somos capazes de fazermos escolhas diferentes, de optarmos por manter em nossas vidas sempre as melhores partes de nós mesmos. Os momentos atribulados vão existir, mas a diferença é como reagiremos a eles. Seja você o diferenciador das suas escolhas, o responsável pelas suas ações conscientes e a melhor pessoa para você mesmo.

Contribua com o seu aprimoramento pessoal, cuide de você.

 


Referências

Scientific American

Harvard Medical School


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