O Que É  Constelação Familiar

A constelação familiar é um tipo de tratamento terapêutico e holístico onde o terapeuta observa os campos de energia da família, a fim de identificar as causas de determinados desequilíbrios na vida do cliente. A partir de então, o terapeuta juntamente com o paciente, trabalham novas estratégias de comportamentos para que esses desequilíbrios sejam sanados.

O principal objetivo das constelações é realizar a cura de dinâmicas familiares e de comportamentos repetitivos que adquirimos inconscientemente de nossas gerações anteriores. Comportamentos estes que nos aprisionam e bloqueiam o nosso crescimento pessoal, gerando dificuldades em diversas áreas de nossas vidas, como trabalho, relacionamentos, dificuldades financeiras, dentre outras. Trata-se de uma oportunidade de identificar, de forma clara e consciente, o que está acontecendo, e dessa forma, contribuir com a resolução dos conflitos a partir da escolha de uma mudança pessoal e interna. Essas transformações proporcionarão uma melhoria nas relações familiares, interpessoais e no ambiente de trabalho.

Como Funciona a Terapia de Constelação Familiar

Nos sistemas familiares existem algumas ordens que devem ser respeitadas. Quando tais ordens não são praticadas, gera-se um desequilíbrio na vida das pessoas. Muitas vezes, esse desequilíbrio origina-se em ocorrências do passado que, não foram vistas, honradas, nem respeitadas. Através da constelação familiar observa-se os campos de energia que foram gerados a partir desses acontecimentos, possibilitando o entendimento do ocorrido e o reestabelecimento do equilíbrio. O objetivo é identificar, através de atendimentos individuais ou em grupo, quais leis podemos inconscientemente estar transgredindo e nos recolocar na vida de uma forma que possamos respeitá-las.

Dentro das constelações familiares, através de campos de energia, são colocados em observação aquilo que foi excluído pelo sistema familiar.

As Leis Que Regem A Constelação Familiar

Bert Hellinger (fundador das Constelações Familiares) menciona que, além do inconsciente coletivo e do inconsciente individual, existe um “inconsciente familiar” que age em cada membro da família. Nesse inconsciente familiar existem 3 leis básicas que atuam ao mesmo tempo, são elas:

O Pertencimento

A pertinência ou direito ao pertencimento, refere-se ao fato de que todos os membros da família tem o direito de pertencer ao sistema familiar. Porém, se alguém é excluído, outro membro da família tomará o seu lugar, repetindo o seu destino.

“Pertencer à nossa família é nossa necessidade básica. Esse vínculo é o nosso desejo mais profundo. A necessidade de pertencer a ela vai até mesmo além da nossa necessidade de sobreviver. Isso significa que estamos dispostos a sacrificar e entregar nossa vida pela necessidade de pertencer à família.”

Bert Hellinger

Com base na lei da pertinência, nada pode ser excluído. Todos que nascem num sistema, numa família, e possuem o direito de pertencer a ela, independente do que tenha ocorrido no passado. As pessoas não podem ser excluídas, e muitas vezes, no passado dos nossos antepassados houveram exclusões, por preconceitos, escolhas equivocadas ou diversos outros motivos. Várias pessoas foram excluídas e não lhes foi dado o direito de pertencer, como crianças que foram raptadas ou doadas, abortos, filhos fora do casamento, esposas(os) e/ou noivas(os) que foram abandonadas. Diversas situações de pessoas que possuíam o direito de pertencimento, mas que foram excluídas e ninguém mais se lembra delas. Todos esses desajustes geraram dor nessas vidas que fazem parte da família. Uma dor que não é vista e que não é honrada, ficando assim exposta no sistema familiar. Nesse caso, pode ocorrer de algum membro do mesmo sistema se conectar com essa dor e assim por diante, passar a assumir a dor do outro, adotando decisões e comportamentos do destino alheio. Essa conexão ocorre através de um amor, que dentro das constelações é chamado de “o amor que adoece“.

A Ordem ou Hierarquia

Os que chegaram antes, estão acima dos que chegaram depois. Os que nasceram primeiro são grandes e devem ser respeitados e honrados por isso. Inclusive os nossos pais, eles vieram primeiro e por isso, estão acima, pois eles possibilitaram com que estivéssemos aqui neste momento.

Muitas vezes nós queremos mudar a situação, nós queremos salvar, queremos um destino diferente para os nossos pais. Quando isso ocorre, em grande parte das vezes estamos sendo levados pelo amor que adoece. Trata-se de um tipo de amor bem diferente do amor que cura. É um amor que quer resolver o problema dos outros, porém, muitas vezes esquece do livre arbítrio, da necessidade de cada alma e principalmente da força que cada ser tem dentro de si para superar os desafios que ele próprio escolheu e está vivenciando. Quando desejamos algo diferente de como as experiências dos outros se apresentam, entramos num desejo mágico, num pensamento fantasioso de salvar, e não é esse o nosso papel no sistema. No caso dos nossos pais, muitas vezes temos o desejo que eles sejam diferentes, que o casamento deles mude e que suas escolhas pessoais sejam outras. Em diversos casos, por querermos salvar a mãe ou o pai, nos aliamos a um deles como se fôssemos a força salvadora para os seus problemas. Porém, todos esses desejos de salvar aqueles que na verdade deveriam estar sendo honrados, geram um desequilíbrio no sistema familiar e consequentemente a nós mesmos.

Quando desejamos algo para a nossa mãe ou para nosso pai, em determinada área da nossa vida vai nos faltar força. E quando nós aceitamos a nossa mãe ou o nosso pai e o destino deles exatamente como ele é, começamos então a olhar para eles como pessoas grandes, como pessoas fortes e capazes. As constelações familiares nos mostram que nosso pai e nossa mãe são os certos para nós. Entendemos que não podemos mudar o destino dos nossos pais e que eles estão presentes para nós da maneira certa, como deve ser.

Precisamos respeitar a escolha dos nossos pais. Desde a escolha da união e até algo que possa ter acontecido que não tenha dado certo. Caso aconteça à eles uma situação que visualizemos como difícil ou dolorosa, independente do que seja, nós não devemos assumir essa dor, nem da mãe, nem do pai; pois esse comportamento irá comprometer o nosso equilíbrio pessoal, trazendo desajustes para a nossa vida. Devemos saber que temos o pai e a mãe certos para nós, e saber que tudo o que nós tivemos dos nossos pais foi o suficiente. Essa é a lei da hierarquia, honrar os que vieram primeiro, honrar os nossos antepassados, sabendo que tudo o que ocorreu foi necessário e que foram as estratégias de sobrevivência da nossa família.

O Equilíbrio

É necessário haver um equilíbrio entre dar e receber. Nós só podemos dar algo para alguém na medida em que recebemos. Muitos não recebem (ou receberam) o suficiente do pai ou da mãe, e quando vão dar algo para alguém, enfrentam dificuldades. São pessoas que ao dar gastam uma energia demasiada, cansam por realizar esse ato, pois tiram energia de onde não tem. Em contrapartida, muitos dizem que fazem tudo por todo mundo, e que ninguém faz nada por eles. Aí ocorre um desequilíbrio também. É necessário questionar-se: -“Por que eu faço tudo para todo mundo? O que acontece, que me faz dizer sim, quando eu quero dizer não, uma vez que já não consigo e não aguento mais?”- Trata-se de um desequilíbrio que está na vida da pessoa gerando esse tipo de comportamento. Existem também os casos de pessoas que querem ajudar os outros, mas que extrapolam, vão ao extremo, querendo muitas vezes salvar o mundo, e assim vão assumindo o problema dos outros, o que também causa  desarmonias e dificuldades pessoais.

Quem tem o pai e a mãe no coração, vai dar para as pessoas na medida em que recebeu.

Constelação Familiar – Pertencimento, Hierarquia e Equilíbrio Entre Dar e Receber

Comportamentos Repetitivos Na Família

Dentro das constelações familiares também são observados e trabalhados os padrões de comportamentos da família que são repetidos de geração em geração. Muitas vezes o destino que é do avô, do tataravô ou do próprio pai ou mãe começam a ser repetidos pelos filhos. Muitos dizem: “Nossa! Está acontecendo comigo exatamente o que aconteceu com meu avô ou com o meu pai.”

Os motivos para as repetições de padrão de comportamento estão ligados ao pertencimento e a boa consciência. Por um direito de pertencimento, essa pessoa muitas vezes tem uma boa consciência em relação ao sistema familiar e com isso, sente-se culpada por escolher fazer algo diferente do que todos da família fizeram. Essa atitude de manter os padrões também pode gerar problemas na vida do indivíduo, uma vez que a pessoa não está seguindo o seu próprio caminho, com suas próprias escolhas. Um exemplo para esse padrão seria o fato de mulheres ou homens que não são felizes no casamento, onde os filhos acabam repetindo esse modelo e não conseguem encontrar essa felicidade também. Outro exemplo, são as famílias onde as mulheres vem desempenhando um papel de submissas, dedicando-se em excesso à família e algumas vezes com relacionamentos abusivos e machistas. Elas não percebem que estão repetindo um padrão de comportamento que, consequentemente não lhes possibilita ter sucesso nas diversas áreas da vida, principalmente profissional e financeiro.

Comenta-se na constelação familiar que os padrões de comportamentos são gerados por uma fidelidade familiar. Trata-se de uma boa consciência que causa problema.

A boa Consciência Que Causa Problema

A boa consciência e a má consciência na constelação familiar diferem-se do conhecimento de bom e mau que conhecemos. A boa consciência quer dizer que, “Se todos da família fazem, então eu faço também”. E má consciência refere-se ao seguinte entendimento: “Eu posso fazer diferente e mesmo assim continuar pertencendo a este sistema”. Dessa forma, mantemos a compreensão de que podemos fazer diferente, honrando os que vieram primeiro. Entende-se que foi necessário o que foi feito e da forma como foi feito, mas que, se a pessoa fizer diferente, ela não vai estar de forma alguma traindo aos seus ancestrais. Simplesmente o fluxo de vida está acontecendo de uma maneira diferente do que foi feito até então.

Constelação familiar é uma transição para um novo nível de consciência. Um novo entendimento vem para a vida da pessoa, desde que esta esteja aberta à essa mudança e à essa nova realidade. Outra questão importante é que, ao identificarmos o desajustes e realizarmos os devidos comportamentos de honra e respeito para com nossos antepassados, curamos não somente a nós, mas também à energia em desarmonia que paira sobre a família. É sem dúvida uma ferramenta poderosíssima para todos aqueles que estejam sentindo desequilíbrios em qualquer área de sua vida, pois as questões familiares fazem parte de todos nós e precisam ser observadas e tratadas para que possamos continuar o nosso desenvolvimento pessoal e coletivo.

Espero que tenham apreciado essas informações sobre essa maravilhosa ferramenta de autodesenvolvimento pessoal e coletivo. Para quem se interessar pelas constelações familiares, existem atualmente diversos profissionais que disponibilizam atendimentos individuais ou em grupos. Conheço e indico muito o trabalho da querida Valéria Skrebsky do Espaço Mohana Nalini, com a qual tive oportunidade de realizar um atendimento e que falarei com mais detalhes em um próximo artigo.

Mais informações sobre Bert Hellinger e a Constelação Familiar Sistêmica:

http://www.berthellinger.com.br/

Abraço fraterno, muita paz luz e equilíbrio interno a todos.


4 comentários

Leia Oliveira · 21/03/2018 às 23:02

NOSSA… MTO ESCLARECEDOR ESSE TEXTO. FALE MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO, ERICA. SINTO Q PRECISO MTO ME INTERAR MAIS SOBRE TUDO ISSO. ETERNAMENTE GRATA!!! LEIA OLIVEIRA.

    Érica Lima · 22/03/2018 às 17:46

    Leia querida! Falarei mais sobre esse assunto e vou contar sobre a experiência pessoal que tive com a Constelação Familiar. Mas já lhe adianto, se ressoou no seu coração, então busque querida, porque é uma ferramenta LINDA e muito poderosa em nos auxiliar nas nossas questões. Abraço forte, luz para você querida.

Sergio Carvalho · 20/11/2018 às 04:31

Gostei muito! Me surpreendeu, e não foi pouco!

    Érica Lima · 30/11/2018 às 10:16

    Que bom Sergio. A constelação é uma ferramenta riquíssima a nos contribuir no autodesenvolvimento. 🙂

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